Cerca de 100 ambulâncias em marcha lenta na Ponte 25 de Abril na segunda-feira: protesto contra a exclusão dos apoios aos combustíveis

Alexandre Nunes · 2026-10-23

Cerca de 100 ambulâncias em marcha lenta na Ponte 25 de Abril na segunda-feira: protesto contra a exclusão dos apoios aos combustíveis

Cerca de 100 ambulâncias e outros veículos de empresas privadas de transporte de doentes vão atravessar a Ponte 25 de Abril em marcha lenta na segunda-feira, 26 de outubro, em direção ao centro de Lisboa. O protesto, convocado pela Liga Portuguesa de Ambulâncias (LPA), é contra a exclusão destas empresas dos apoios extraordinários aos combustíveis: o Decreto-Lei n.º 199/2026, de 7 de outubro, dá 120 euros por veículo aos táxis e às ambulâncias das associações humanitárias de bombeiros, mas deixa de fora as empresas privadas licenciadas para o mesmo serviço.

Por onde passa o protesto

Segundo o comunicado da LPA citado pelo Observador e pela Rádio Comercial, os veículos concentram-se na Margem Sul, seguem pela A2 e entram em Lisboa pela Ponte 25 de Abril, com ponto de chegada junto ao Parque Eduardo VII. O percurso está a ser combinado com as autoridades e a hora ainda não foi divulgada. Quem atravessa a ponte na segunda-feira deve contar com trânsito mais lento no sentido Almada–Lisboa e no Marquês de Pombal; a Ponte Vasco da Gama é a alternativa habitual.

A LPA vai entregar um memorando ao Ministério da Saúde, ao Ministério das Infraestruturas e Habitação, à Assembleia da República e à residência oficial do primeiro-ministro.

O que dá o apoio aos combustíveis — e a quem

O Decreto-Lei n.º 199/2026 criou apoios pagos de uma só vez, por veículo, a vários setores afetados pela subida dos combustíveis:

  • táxis e veículos das associações humanitárias de bombeiros: 120 €; veículos de bombeiros da classe S: 360 €;
  • transporte de mercadorias e pronto-socorro (reboques): de 118,20 € a 457,80 €, conforme o peso;
  • autocarros de transporte público: 420 €;
  • instituições do setor social: 600 € por entidade.

O transporte não urgente de doentes feito por empresas privadas não aparece na lista. A LPA chama-lhe uma distinção «incompreensível» e diz que o Estado não deve deixar operadores de fora «apenas pela sua natureza jurídica».

Os automobilistas particulares também não recebem nenhum apoio direto: a ajuda que chega a todos é o desconto extraordinário no ISP, que os postos mostram desde 17 de outubro no cartaz «Redução ISP+IVA» (ver a página de impostos).

Porque é que estas empresas dizem não aguentar

Em 2025, o SNS registou mais de quatro milhões de transportes não urgentes de doentes — para tratamentos de oncologia, hemodiálise, fisioterapia, consultas e altas hospitalares — e cerca de metade foram feitos por empresas privadas, contratadas por concurso. Os preços que o SNS lhes paga estão fixados desde 2023, por isso a subida do gasóleo não pode ser passada para o cliente. A LPA queixa-se também de pagamentos do SNS com mais de 90 dias de atraso.

«Da parte do Governo há um silêncio absoluto. Só o gabinete da Presidência da República nos recebeu», disse o presidente da LPA, Álvaro Gil. As empresas não excluem parar o serviço se não houver resposta, mas garantem: «Não queremos deixar de transportar doentes.»

O gasóleo simples custa hoje, em média, 2,242 €/l nos postos que comunicam preços à DGEG, mais 3,1 cêntimos do que há uma semana. Para encontrar o mais barato perto de si, veja os postos mais baratos ou o mapa.

De onde vem a informação: comunicado da Liga Portuguesa de Ambulâncias (via Observador, Rádio Comercial e Público/Diário de Coimbra), Decreto-Lei n.º 199/2026 publicado no Diário da República e médias diárias dos preços comunicados pelos postos à DGEG.