Portugal e mais 11 países libertam reservas de petróleo: 20,5 milhões de barris de gasóleo até janeiro. Vai baixar o preço?

Alexandre Nunes · 2026-10-30

Portugal e mais 11 países libertam reservas de petróleo: 20,5 milhões de barris de gasóleo até janeiro. Vai baixar o preço?

Portugal é um dos 12 países da União Europeia que vão libertar parte das reservas estratégicas de petróleo para travar a subida dos preços, sobretudo do gasóleo. Segundo o comunicado conjunto divulgado esta quinta-feira, 29 de outubro, serão 42,6 milhões de barris até ao final de janeiro de 2027, dos quais 20,5 milhões de gasóleo. Para já, não há sinal de descida nas bombas: o gasóleo custa em média 2,256 €/l e as cotações desta semana ainda apontam para uma subida na segunda-feira.

Quem liberta e porquê

Além de Portugal, assinam o comunicado a Alemanha, França, Itália, Países Baixos, Bélgica, Luxemburgo, Grécia, Dinamarca, Suécia, Lituânia e Letónia, todos membros da Agência Internacional de Energia. A decisão cumpre um compromisso do G7, que no início de outubro acordou libertar até 100 milhões de barris de gasóleo e de petróleo bruto em quatro meses. O comissário europeu da Energia, Dan Jørgensen, disse que a UE está a fazer «tudo o que pode para estabilizar os mercados do gasóleo» antes do inverno, mas admitiu que, para quem tem dificuldade em pagar as contas, a medida pode não fazer diferença.

O comunicado não diz quanto cabe a Portugal, e o Governo ainda não o anunciou. Em março, quando a Agência Internacional de Energia pediu a libertação de 400 milhões de barris, Portugal comprometeu-se com cerca de 2 milhões, 10 % do que tinha guardado, um contributo que a ministra do Ambiente e Energia chamou «quase simbólico». No fim de 2025, as reservas portuguesas tinham cerca de 298 mil toneladas de gasóleo.

Há risco de faltar combustível?

Não para já. A Epcol, associação das empresas portuguesas de combustíveis, disse à Lusa que não vê risco iminente de rutura no abastecimento neste inverno, graças à refinaria de Sines, às importações e às reservas. A ENSE, que gere as reservas, mantém o setor petrolífero em nível amarelo por causa do Médio Oriente: há sinais a vigiar, mas a probabilidade de uma ameaça real é baixa.

E o preço na segunda-feira?

Em França, os stocks libertados vão servir para baixar o gasóleo a partir de domingo, 1 de novembro, entre 12 e 18 cêntimos por litro, segundo o Governo francês. Em Portugal não há medida semelhante anunciada.

Por cá, o gasóleo continua a seguir as cotações. Na média de segunda a quinta-feira, o preço de referência da ENSE sem impostos subiu 6,2 cêntimos face à semana anterior (1,772 contra 1,710 €/l). Com IVA, isto dá cerca de mais 7,6 cêntimos no gasóleo e 4,4 na gasolina na segunda-feira, menos do que se calculava na terça (9,3 cêntimos). A conta ainda não inclui as cotações de hoje nem o desconto do ISP da próxima semana, que o Governo fixa normalmente à sexta-feira. A previsão final sai esta noite na página da próxima semana. Até lá, os postos mais baratos perto de si e o mapa mostram onde abastecer melhor.

Na estrada este fim de semana

A GNR está desde hoje até domingo com a operação «Todos os Santos», com mais patrulhas e fiscalização nas estradas com mais trânsito do continente.

De onde vem a informação

Comunicado conjunto dos 12 países (via Lusa, ECO, RTP e Observador, 29 de outubro), Epcol e ENSE (Lusa, 30 de outubro), Jornal de Negócios (11 de março) e GNR. Preços médios da DGEG e preço de referência da ENSE, nas contas do Achado Combustível.