Governo inclui ambulâncias privadas nos apoios aos combustíveis; marcha lenta na Ponte 25 de Abril suspensa
Alexandre Nunes · 2026-10-25

Atualizado a 26 de outubro: a Liga Portuguesa de Ambulâncias (LPA) suspendeu a marcha lenta de segunda-feira na Ponte 25 de Abril, depois do anúncio do Governo.
O Governo vai incluir as empresas privadas de transporte não urgente de doentes nos apoios extraordinários aos combustíveis e ao AdBlue. O anúncio foi feito pelo Ministério da Saúde num comunicado divulgado no domingo, 25 de outubro, na véspera da marcha lenta de cerca de 100 ambulâncias marcada para segunda-feira de manhã na Ponte 25 de Abril. Ao fim da tarde de domingo, a LPA anunciou a suspensão do protesto, segundo o Jornal Económico e a Renascença.
O que o Governo anunciou
Segundo o comunicado, citado pela Lusa, Observador e DN, estas empresas passam a estar abrangidas pelo Decreto-Lei n.º 199/2026, de 7 de outubro, o diploma que criou o pacote de apoios temporários para compensar a subida do gasóleo e do AdBlue. O ministério diz que a decisão «reconhece a importância destas empresas para assegurar o acesso dos utentes aos cuidados de saúde».
O comunicado tem dois parágrafos e não indica montantes, condições de acesso nem datas. Até agora, o decreto dava apoio por veículo aos táxis e às ambulâncias das associações humanitárias de bombeiros, mas deixava de fora as empresas privadas licenciadas para o mesmo serviço — a razão do protesto que noticiámos na sexta-feira. Só quando a alteração ao decreto for publicada em Diário da República se saberá quanto recebe cada ambulância.
Protesto suspenso, negociações começam
Num comunicado enviado ao Jornal Económico às 18h36 de domingo, a LPA diz que a decisão do Governo corrige uma «situação de desigualdade» e suspende a marcha lenta. A primeira reunião oficial de negociação com o Governo ficou marcada para segunda-feira, 26 de outubro. A Liga avisa que os problemas estruturais do setor estão «longe de resolvidos» e serão discutidos nessa negociação.
O plano era concentrar as ambulâncias às 7h00 no Centro Sul, em Almada, atravessar a ponte em marcha lenta a partir das 8h00 e seguir até São Bento.
Porque é que o apoio pode não chegar
O combustível é só uma das queixas. O transporte não urgente de doentes é pago pelo SNS a preços tabelados desde 2023, que as empresas não podem atualizar, e a Liga queixa-se de pagamentos em atraso. Em 2025 o SNS registou mais de quatro milhões destes transportes — doentes oncológicos, hemodiálise, fisioterapia, consultas e altas hospitalares —, cerca de metade feitos por empresas privadas. O presidente da LPA, Álvaro Gil, tinha dito ao Público que do Governo havia «um silêncio absoluto».
Nesta segunda-feira mudaram os preços nas bombas: a gasolina desceu e o gasóleo ficou perto de onde estava — veja a previsão para a semana, o preço de hoje e os postos mais baratos perto de si.
De onde vem a informação: comunicado do Ministério da Saúde de 25 de outubro (via Lusa, Observador e DN), comunicado da Liga Portuguesa de Ambulâncias (Jornal Económico, Renascença, Diário do Distrito) e Decreto-Lei n.º 199/2026.